Quem sou eu?

Questões que orientam meu trabalho

Ao longo da minha trajetória como professor, investigador e empreendedor científico*, uma pergunta foi-se tornando cada vez mais central: como as pessoas pensam, decidem e agem — e o que isso significa, do ponto de vista ético e prático, para a vida social, para as políticas públicas e para as organizações. Esta orientação nem sempre foi explícita ou deliberada; revelou-se com o tempo, a partir de escolhas, encontros e inquietações que se foram acumulando.

Tenho uma certa alergia ao termo empreendedorismo, ligada à ideologia da qual parece derivar em alguns momentos, contudo a expressão “empreendedorismo científico” descreve de modo compreensível um conjunto de atividades que marcam, de forma significativa, a minha trajectória profissional. Não é uma expressão que me convença — e reconheço que o termo é discutível —, mas pareceu-me a forma mais directa de comunicar um tipo específico de atuação no mundo.

A minha formação e atuação situam-se na interseção entre a Filosofia e as Ciências Comportamentais e Sociais — e na sua aplicação a contextos concretos. Durante vinte anos, entre 1996 e 2016, dediquei-me exclusivamente à docência e à investigação, no Brasil e em Portugal. Desde então, e para além da docência e da investigação, o trabalho alargou-se a outras frentes: palestras, consultoria, escrita e iniciativas na fronteira com o ativismo.

Mantenho uma produção escrita — acadêmica e ensaística — voltada ao debate público. Escrever é, para mim, uma extensão do ensino e da pesquisa: uma forma de pensar em voz alta, de dialogar e de testar ideias em contato com públicos diversos. Atualmente, desenvolvo projetos que articulam ensino, pesquisa aplicada e reflexão crítica — buscando criar espaços de aprendizagem exigentes e intelectualmente humildes; aplicados, sem serem instrumentalizados; comprometidos com impactos sociais reais. Apresento este percurso com espírito de abertura e diálogo. Mais do que reivindicar posições ou rótulos, interessa-me contribuir para conversas relevantes, aprender com contextos distintos e participar de iniciativas que levem a sério tanto a complexidade do mundo quanto a responsabilidade de agir nele. 

Formação Acadêmica

Visiting Scholar – Faculty
Wharton School – University of Pennsylvania
— EUA | 2015

Visiting Scholar (Faculty) na Wharton School – University of Pennsylvania, no segundo semestre de 2015, por convite da Professora Deborah Small. Investigação experimental sobre a concepção popular (senso comum) de racionalidade. Membro do PhD Prosocial Consumer Behavior Seminar, realizado no contexto do laboratório da Professora Deborah Small e do programa de doutoramento de Wharton.

Pós-doutoramento em Filosofia, com estudos experimentais sobre o conceito de senso comum de racionalidade, com foco em fraqueza e força da vontade. Investigação realizada na fronteira entre as Ciências Cognitivas e Comportamentais e a Filosofia Experimental. Pesquisa financiada pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através de bolsa de pós-doutoramento.

Doutoramento em Filosofia, com investigação sobre a racionalidade e a irracionalidade da ação humana. Pesquisa realizada na fronteira entre a Filosofia Analítica, a Filosofia Experimental e as Ciências Cognitivas e Comportamentais. Bolsista da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do ALBAN Programme – EU–Latin America High Level Scholarships Programme, da Comissão Europeia.

Mestrado em Administração Pública e Governo. Bolsista de mestrado do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Atuou como monitor do programa Gestão Pública e Cidadania.

Graduação em Economia. Bolsista de iniciação científica da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Empreendedorismo ciêntífico

Organizações de
Base Científica

CLOO - Behavioral Insight Unit

Um passo para fora do universo acadêmico, mas não um afastamento dele: Em 2017, fundei a CLOO Behavioral Insights Unit. O propósito era desenvolver projetos que conectassem ciência e impacto social em organizações públicas e privadas. Isso implicou, com frequência, criar e gerir projetos que reuniam pessoas de organizações e setores distintos — governo, academia, setor privado e sociedade civil —, exigindo a construção de linguagens partilhadas e a coordenação de objetivos nem sempre convergentes.

jamse

Em 2024, após concluir meu ciclo na consultoria, criei a JAMSE School. Ela emergiu como um desdobramento orgânico desse percurso, na interseção entre Filosofia, Ciências Comportamentais, Ciências Sociais e investigação aplicada a questões de interesse público. Tornava-se cada vez mais evidente a escassez de espaços capazes de sustentar, ao mesmo tempo, profundidade científica e filosófica, liberdade e humildade intelectual, e compromisso genuíno com problemas sociais reais. A JAMSE nasceu, em parte, como resposta a essa lacuna.

Ao longo desse percurso, trabalhei em e com organizações públicas e privadas, equipes executivas, formuladores de políticas e comunidades acadêmicas — desenvolvendo projetos, formações e intervenções que integram as Ciências Comportamentais e Sociais, a reflexão ética e a prática filosófica.